O Egocêntrico (A Ilusão Óptica): Não se trata necessariamente de maldade, mas de uma limitação estrutural de perspectiva. O egocêntrico é aquele que, ingenuamente, acredita que o mundo gira ao seu redor e que a sua régua mede a realidade de todos. Como Jacques Lacan aponta em Escritos, o sujeito é capturado pelo plano do Imaginário — ele projeta suas próprias expectativas no outro, operando na premissa de que "o desejo do homem é o desejo do Outro", sendo incapaz de enxergar a alteridade radical de quem está à sua frente.
O Egoísta (A Dinâmica da Posse): Este sabe perfeitamente que o outro existe e tem vontades próprias, mas escolhe deliberadamente colocar os seus próprios interesses em primeiro lugar. O egoísta opera na economia do ganho; ele quer reter o afeto, o tempo e os recursos para si, instrumentalizando as relações para satisfazer suas demandas imediatas.
O Narcisista (A Armadura Perfeita): Aqui, a questão é de sobrevivência psíquica. O narcisista não ama a si mesmo; ele ama a imagem idealizada que construiu de si para não desabar. Ele precisa do aplauso e da validação constante do outro para sustentar esse espelho estraçalhado. Quando essa imagem é ameaçada, o narcisista reage com fúria ou desdém, pois o outro só serve enquanto confirma a sua própria perfeição.
O Nó Inconsciente
A grande chave para entender essa engrenagem está no que Sigmund Freud postulou em Além do Princípio do Prazer. O aparelho psíquico tende a repetir padrões de comportamento (a compulsão à repetição) na tentativa de dominar traumas e faltas primitivas. Aquele que se fecha no próprio ego (seja por egocentrismo, egoísmo ou narcisismo) está, no fundo, tentando se defender preventivamente do desamparo e do medo de não ser amado. Ele se encastela em si mesmo para não ter que lidar com o risco, o vazio e a imprevisibilidade de amar alguém fora do seu controle.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FREUD, Sigmund. Além do Princípio do Prazer (1920). Tradução de bases textuais. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Volume XVIII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
LACAN, Jacques. Escritos (1977). Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
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