Viver com a sensação constante de ser um estrangeiro no próprio mundo é uma das formas mais refinadas que o inconsciente encontra para nos proteger de feridas emocionais profundas. Ao construir essa barreira invisível de incompreensão entre nós e os outros, a nossa mente cria uma espécie de "zona de segurança" psicológica: se ninguém me entende e eu não pertenço a lugar nenhum, eu também nunca poderei ser verdadeiramente rejeitado, abandonado ou julgado pelo Outro. Esse exílio subjetivo funciona como um mecanismo de defesa inconsciente que, embora mascare o medo da vulnerabilidade e do laço social real, acaba cobrando um preço altíssimo — transformando o desejo de conexão em um isolamento doloroso e alimentando a ilusão de que estamos protegidos, quando, na verdade, estamos apenas sós.
Referência Bibliográfica:
· LACAN, Jacques. O Seminário, livro 20: mais, ainda (1972-1973). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
· OGDEN, Thomas. A Arte da Psicanálise: sonhando sonhos não sonhados e gritos interrompidos. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
· SOLMS, Mark. O Exame do Cérebro: Uma introdução à neuropsicanálise. Porto Alegre: Artmed, 2021.
· FREUD, Sigmund. O Mal-estar na Civilização (1930). Edição Standard Brasileira, Vol. XXI. Imago.
Deixe um comentário